Aos Clubes e DirigentesVale a pena o sobressalto na luta pela verdade.
Todos aqueles que estão próximos da modalidade de Badminton, conhecem a voz corrente, que ano após ano, vai falando e comentando, a ausência de democracia, de verdade desportiva, administrativa e funcional que envolve a Federação, algumas Associações e Clubes.
Todos sabem e muitos comentam, que existem clubes que não passam de Fantasmas, inscritos para fazer parte da contabilidade dos votos.
Todos sabem e muitos comentam, que em muitas associações a vida democrática deixou de existir, as Assembleias Gerais não se realizam, eleições não se efectuam, a vida associativa é pura ficção.
Todos sabem e muitos comentam, (ou quase todos), que não existe estratégia de desenvolvimento desportivo para a modalidade e que esta caminha passo a passo para o precipício.
Todos sabem e comentam, que estas situações se repetem ano após ano, ciclo olímpico após ciclo olímpico, e é suportada por uma política de favores, de promoção pessoal, de mentiras, de pressões e porque não dizê-lo também, por ausência de combate frontal até ao fim.
Vivemos todos, uns conscientes, outros inconscientes, uns responsáveis, outros demissionáveis, uns interessados outros interesseiros, e alguns desmotivados, envoltos nesta triste mentira desportiva, que mais parece uma modalidade do faz de conta, onde impera a mais profunda inércia, a mais forte prepotência, a mais alta corrupção intelectual e se espalha a mais arrasadora anestesia na compra de interesses, pressões e favores.
Trabalham clubes, dirigentes e atletas, para uns quantos, sem qualquer referência, sem trabalho visível de fundo, sem a experiência do que é hoje o trabalho diário num clube, poderem pavonear-se com cargos e deles se servirem para proveito próprio.
Todos aqueles que estão na modalidade de corpo e alma, ao serviço dos clubes e dos atletas, sem interesses próprios e de projecção pessoal do que estão à espera, será que não é hora do sobressalto? Acabar com este regime em que todos nos sentimos, ora vendidos ora comprados, de acordo com as
necessidades do poder, mas acima de tudo marginalizados por aqueles que ficam sempre no centro das decisões?
Depois de anos e anos a ouvir palavras amargas e justas, de protesto e indignação por parte dos clubes e dirigentes da Madeira, o que se passa ou passou, para que agora pareçam o cobertor de um regime, que nada muda ou altera no rumo da modalidade e da verdade desportiva?
A entrega da Presidência da Assembleia Geral da Federação e a realização de Torneios Nacionais na Madeira, mudou o rumo da modalidade, da verdade desportiva e funcional da Federação?
Habituei-me a respeitar a opinião dos Madeirenses por serem justas e correctas, quanto ao que se vivia na modalidade, é difícil agora perceber o contrário.
A Madeira, os seus clubes e dirigentes pelo trabalho que desenvolvem e vêm realizando desportivamente, não precisam de favores para ocuparem o lugar que por direito próprio conquistaram na modalidade.
As opiniões de outrora dos dirigentes da Madeira, mantêm-se hoje e mais do que nunca actuais, por isso é difícil perceber a sua mudança de atitude.
Os madeirenses devem assumir o seu lugar ao lado de todos aqueles que lutam pela reposição da verdade democrática e institucional da Federação, devem ser como o são no campo desportivo, impulsionadores de um projecto verdadeiramente essencial para o desenvolvimento da modalidade.
A entrada em vigor da Lei 248-B/2008 de 31 de Dezembro podia constituir-se como um instrumento crucial e polarizador para levar a cabo uma profunda democratização da federação, repor a verdade administrativa e desportiva e projectar definitivamente o desenvolvimento sério da modalidade.
Infelizmente, parece que a esperança e a oportunidade não têm caminho para andar, a tirania e o oportunismo são mais fortes, movem mais interesses e acima de tudo espelham a corrupção intelectual a tal nível que tudo parece secar à sua volta.
A proposta de alteração estatutária apresentada, pela direcção da Federação, cenariza com rigor e clareza os seus propósitos e até o facto de ser apresentada no último dia legalmente possível, mostra o carácter e as suas mórbidas intenções.
O facto da proposta da direcção da Federação para o artigo 31 ponto 2 alínea A), chamar para si e não como até agora, para a Assembleia Geral, a aprovação dos regulamentos, dá desde logo o mote do que é a visão totalitária e cerceadora desta direcção e como vê a participação dos restantes agentes da modalidade.
É evidente que a côrte de interesses pode vir a aprovar esta proposta, mas não deixará no futuro de crescer a indignação, a revolta e a desmotivação no conjunto da modalidade.
Mas se esta proposta for associada, a proposta da direcção de alterações ao sistema competitivo para o escalão de Não Seniores fica feito o início de um filme, com o fim do mesmo desde logo conhecido. Nasceu uma proposta pior da que já existe, muda-se para piorar não para melhorar, é o caminho escolhido por esta direcção.
A Direcção da Federação podia aproveitar a ocasião que lhe oferece a nova legislação, para mostrar de forma genuína e verdadeira se estava ou não interessada em potencializar o desenvolvimento da modalidade, se estava ou não interessada, em aglutinar, impulsionar e motivar os clubes, se estava ou não interessada em responder com clareza a todas as duvidas que se instalem nos agentes da modalidade, mas não, em vez disso, a direcção escolheu o pior caminho e adensa ainda mais, o coro das duvidas e das criticas que para si já são direccionadas. É caso para dizer que não existe remédio para esta doença, que se espalha pelo corpo da Federação.
Efectivamente a proposta de alteração que a direcção apresenta para o artigo 23 dos estatutos, em vez de devolver aos clubes a verdadeira representatividade na Assembleia Geral da Federação e constituí-los como motores de um papel activo de debate e desenvolvimento da modalidade, deixa passar a oportunidade e mais uma vez, muitos deles deixam de ter qualquer possibilidade de intervir seriamente.
Evidentemente que todos sabemos que existem “carolas pensadoras” do regime que tudo sabem e para os quais os outros são um deserto, mas para além desses existem outros interesses e esses sim, não se dão bem com a vida democrática e a participação de todos, porque contrariam a propagação dos males que vêm afectando a modalidade.
A direcção da Federação bem podia em vez de 40 delegados, propor como a lei prevê, 120 delegados com assento nas Assembleias Gerais, abrindo assim a todos os clubes a possibilidade de participarem na Assembleia Geral.
Porque não o faz? Porque não existem? Porque assim é mais difícil controlar os votos ou porque assim ficaríamos todos a conhecer a verdade da modalidade?”
De que tem medo afinal a direcção da Federação?
É evidente que os teóricos do regime e do estado da nação, vão teorizar sobre o absurdo da democracia e da verdade desportiva e provar por A + B , que tal não é possível e que as decisões devem ser entregues aos especialistas que circulam em redor da Federação, mas cujos resultados na modalidade são bem conhecidos por nós.
É evidente que por mais explicações que sejam produzidas não respondem à questão central que está colocada.
“Porque não se devolve aos clubes, agentes verdadeiramente interessados na modalidade, que trabalham no dia a dia com atletas e que procuram respostas e soluções para o desenvolvimento da modalidade, a possibilidade de decidirem no local próprio que é a Assembleia Geral da Federação sobre os destinos da modalidade? Tudo o resto são tretas e cantigas de embalar, com que nos têm adormecido.
As propostas que a direcção da federação sustenta para as alterações estatutárias referentes aos artigos, 10, 23, 29 e 31 ligadas com o projecto de alterações ao sistema competitivo vão todas elas num só sentido, impedir e travar o debate democrático e responsável em busca de soluções para o Badminton, afastar os clubes da responsabilidade directa das decisões que devem ser tomadas, perpetuando os actuais figurantes nas postos chave da modalidade, de forma a garantirem os benefícios pessoais e particulares que daí decorrem isolando ainda mais a modalidade.
O desafio ao regime deve ser insistente, frontal, responsável e claro, a Federação tem o dever cívico, moral, desportivo e institucional, de prestar um esclarecimento cabal a todas as dúvidas que percorrem os canais da modalidade, deve ser o principal impulsionador da clareza e da verdade, não basta a direcção contra tudo e contra todos afirmar a sua inocência e dizer da sua bondade, é preciso também parecer que tal é verdade e acima de tudo, provar que o é.
A Assembleia Geral marcada par ao próximo dia 25, por contrariar o ponto 1 e 2 do artigo 28º dos estatutos deve ser, desde já, impugnada, e se necessário for, com recurso às vias judiciais, se não for dado provimento à impugnação apresentada.
Nunca é tarde para se iniciar um combate pela transparência, verdade, democracia e legalidade contra a prepotência, é certamente um caminho penoso e demorado que vai encontrar armadilhas e obstáculos mas que vale a pena iniciar até esgotar as possibilidades legais de tal batalha, que a não ser ganha deixa ou abre outros caminhos e outras portas, que se necessário for serão trilhados, fora da alçada desta Federação, à semelhança, de outros exemplos que se conhecem noutras modalidades deste País.
Diamantino Ruivinho

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