Algumas pessoas mais atentas ao fenómeno desportivo, e ao feudalismo que se instalou em algumas federações (entre elas a FPB), não param de enviar para linhas & finas, excelentes textos recolhidos, muito a propósito do que se tem passado ultimamente na sociedade "desportiva nacional". Infelizmente, não é só, o badminton, que padece desta doença do mal "quero, posso e mando". Aqui está um deles recolhido pelo nosso colaborador Luis Neves, de autoria de Gustavo Pires:
Perante um Conselho Nacional do Desporto (CND) onde, entre gente verdadeiramente interessada no desenvolvimento do desporto nacional, coabitam olimpicamente alguns dinossauros do dirigismo desportivo, espécime que se agarrara ao poder há dez, quinze, vinte e mais anos, Laurentino Dias apresentou a proposta de Regime Jurídico das Federações (RJF). E anunciou uma medida de fundamental interesse para o desenvolvimento do desporto nacional. Uma medida que será, certamente, portadora de futuro..O novo RJF vai limitar a dois mandatos de quatro anos cada, os presidentes das federações desportivas. Deste modo, o desporto foi brindado com uma medida de fundamental importância para o seu desenvolvimento. E o Secretário de Estado da Juventude e Desporto disse:
A limitação de mandatos dos presidentes das federações é um estímulo à renovação do dirigismo desportivo.
A sociedade tem de ser governada pelos melhores. Hoje, o movimento desportivo nas suas lideranças, de uma maneira geral, não é governado pelos melhores. É governado pelos que não querem sair. O sistema, em grande medida, representa a vitória dos fracos que, à custa do dinheiro dos contribuintes, se servem do seu poder burocrático para se manterem agarrados às mordomias que o desporto lhes proporciona..
A limitação de mandatos dos presidentes das federações é um estímulo à renovação do dirigismo desportivo.
A sociedade tem de ser governada pelos melhores. Hoje, o movimento desportivo nas suas lideranças, de uma maneira geral, não é governado pelos melhores. É governado pelos que não querem sair. O sistema, em grande medida, representa a vitória dos fracos que, à custa do dinheiro dos contribuintes, se servem do seu poder burocrático para se manterem agarrados às mordomias que o desporto lhes proporciona..
A sede de poder nos humanos é ilimitada, por isso, à falta de uma cultura democrática que os leve a refrearem o seu desejo esquizofrénico de poder ilimitado e perpétuo, deve ser a lei a fazê-lo, precisamente para que o poder possa sempre ser exercido na plenitude e pelos melhores..O que hoje acontece, é que o sistema desportivo vive num “equilíbrio entrópico” quer dizer, num equilíbrio perfeito, que o está a conduzir a uma completa ausência de dinamismo, de movimento, de projectos e de futuro. O “equilíbrio entrópico” conduz à morte dos sistemas. Cada vez há menos praticantes desportivos e as medalhas obtidas por alguns atletas de excepção, infelizmente, já só representam a salva de tiros que acontece em algumas cerimónias fúnebres.

1 comentário:
Olá Boto
Ainda bem que resolveste publicar este excerto de um texto escrito pelo Sr. Dr. Gustavo Pires, que é Professor na Universidade Técnica de Lisboa e que têm vários trabalhos publicados sobre a temática do Desporto e respectivo Dirigismo, no mesmo texto o autor ainda acrescenta:
Um país com uma verdadeira cultura democrática não precisava desta medida. O problema é que presidentes de organizações desportivas há, que depois de cumprirem quatro mandatos ainda consideram poder vir a cumprir um quinto e um sexto e, etc. Ora, isto para além de ser um atentado à inteligência humana, é um desprezo pela democracia do País. Em conformidade, como as federações desportivas cumprem funções públicas o Estado deve intervir uma vez que são os superiores interesses do País que estão em jogo.
Eu espero sinceramente que as coisas mudem, pois a situação é tão caricata que chega a meter dó …
Mais o mais caricato é que ainda há quem defenda que os maus da fita são aqueles que lutam contra estes “atentados à inteligência humana”…
Luís Neves
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