Empunhando bandeiras do concelho e cartazes, os cerca de 2000 Morenses entoaram palavras de ordem como "Évora sim, Portalegre não".
"Deixem-nos dicidir", "os direitos do concelho de Mora pertencem-nos" e "vamos lutar todos, lutar para em Évora continuar" eram algumas das frases inscritas nos cartazes.
Na concentração, a população aprovou uma moção a entregar à Governadora Civil de Évora, Fernanda Ramos, e dirigida ao secretário de Estado Adjunto e da Administração Local, Eduardo Cabrita.
Antes do desfile, o presidente da Câmara Municipal de Mora, José Manuel Sinogas, afirmou que a população vai dar um prazo, até final de Maio, para obter respostas do governo.
"Se até final de Maio, o problema não for resolvido, rumamos a Lisboa", prometeu o autarca.
Esta foi a segunda acção de protesto da população de Mora, depois de mais de dois mil habitantes do concelho terem participado numa primeira manifestação, na vila de Mora, a 30 de Abril, onde chegaram a cortar a Estrada Nacional 2 (EN2) durante cerca de dez minutos.
Em causa está a possibilidade do concelho não integrar a Nomenclatura de Unidade Territorial III (NUT III) do Alentejo Central (Évora) e continuar a pertencer, como há vários anos, à NUT III do Alto Alentejo, conforme o actual modelo publicado em Abril em Diário da República (DR).
Segundo José Manuel Sinogas, a reivindicação de que Mora integre o Alentejo Central vem desde 1999, quando foram reestruturadas as NUT II e III.
"Entretanto, em 2007, novo processo de reajustamento das NUT III foi reaberto e a proposta inicial contemplava Mora na NUT do Alentejo Central. Foi sobre essa proposta que a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) deu parecer e não sobre a versão que, sem se saber como, colocava de novo Mora no distrito de Portalegre", explicou.
O município já apelou ao Governo para que "permita o reajustamento da situação" e corrija o "erro técnico de que enferma o documento oficial e que tem vindo a afectar Mora, política, económica, social e institucionalmente, há mais de 20 anos".
A autarquia garante que, desde a sua criação no século XIX, o concelho "sempre esteve integrado no distrito de Évora".
Tanto a gestão autárquica de maioria comunista, como a oposição socialista e social-democrata (apenas na Assembleia Municipal) contestam a integração do concelho na unidade territorial do Alto Alentejo (Portalegre).
O autarca comunista de Mora já responsabilizou o Governo e presidentes de câmara do PS no Distrito de Évora pela situação.
"Meteram-nos lá [no Alto Alentejo] por engano e agora há sete presidentes de câmara do PS que, por motivos políticos, não nos querem na NUT do Alentejo Central", disse.
A população também já apelou à intervenção do Presidente da República, do primeiro-ministro, do presidente e dos grupos parlamentares da Assembleia da República e da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) para que a sua reivindicação seja atendida.
Por Mora, continuarei a luta, pela verdade politica, somos e seremos sempre Alentejo Central (Évora).
Todos sabem a minha ideologia politica, sobretudo os Morenses, mas esta luta é de todos os Morenses, sejam eles comunistas, bloquistas, socialistas, sociais democratas ou centristas.
Estamos e estaremos determinados a sermos nós a escolher.
Vamos esperar que de facto haja bom senso por parte dos responsáveis políticos que (des)governam este País e que Mora seja colocada onde deve ser na NUT do Alentejo Central.
Um agradecimento ao primo António Salvo que teve a gentileza de me enviar algumas fotos da manifestação dos Morenses.
Alguns excertos desta noticia foram retirados da fonte " Lusa ", agência noticiosa.

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