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terça-feira, 21 de abril de 2015

Entrevista com... Diogo Silva, conduzida pelo Prof. Fernando Gouveia

Entrevista com...Diogo Silva

Introdução - Diogo Silva, de 27 anos de idade é atleta, da Associação Académica de Coimbra e também, o seu Presidente da Secção de Badminton é natural e residente, em Coimbra, licenciado e mestre em Matemática e lecciona no Colégio São Teotónio. 
Após, a 4ª Jornada Nacional, Diogo Silva encontra-se ordenado, no "Ranking Nacional / Seniores Absolutos", no 9º lugar em Singulares Homens e em 2º lugar nos Pares Homens, com o seu colega Nuno Santos e no 16º lugar em Pares Mistos, com a sua colega Margarida Roque.
Na época desportiva de 2014 / 2015, Diogo Silva integrou, a Equipa Mista Seniores, que foi 3ª classificada, no Campeonato Nacional da 1ª Divisão.
Fernando Gouveia - Teve a influência, de algum familiar para escolher, o Badminton como modalidade preferida?
Diogo SilvaAmbos os meus pais foram atletas de badminton e o meu pai em particular manteve-se fortemente ligado à modalidade, principalmente na área da arbitragem. O grupo de amigos dos meus pais teve sempre muita gente ligada ao badminton de maneira que este esteve sempre presente e foi por isso uma consequência natural que eu começasse a praticar a modalidade e nela me mantivesse até hoje.
FG - Quem é o Diogo Silva, como pessoa, como atleta e como dirigente?
DSNão sei se sou a melhor pessoa para responder a essa pergunta. Gosto de pensar que me guio pelos mesmos princípios nas diferentes vertentes da minha vida. Seja como pessoa, como atleta ou como dirigente considero-me trabalhador, honesto, discreto, confiável e muito protector daqueles que me são mais próximos. 
FG - Qual a importância do Badminton na sua vida?
DSDado que actualmente desempenho funções de atleta, treinador e dirigente, diria que o Badminton um dos meus projectos de vida e assume um papel fundamental na minha vida.
FG - Pode contar um pouco de sua trajectória até assumir a presidência da Secção?
DS Comecei como atleta no clube com 10/11 anos e aqui me mantive até hoje. Apesar de uns primeiros anos complicados em termos de resultados, nesse campo, as coisas começaram a melhorar a partir de sub17. Com 16 anos integrei pela primeira vez a Direcção da secção de badminton e com 18 comecei a desempenhar funções de treinador no clube. Com o passar dos anos fui assumindo «pastas» mais importantes dentro da gestão corrente do dia-a-dia do clube, quer como treinador, quer como dirigente, e assumir a presidência do clube acabou por ser uma consequência natural de todo este percurso dentro da estrutura do badminton da AAC.
FG - Quais são as suas expectativas para o Badminton, na AAC? 
DSA AAC é um clube que goza de uma característica única: a sua proximidade à Universidade de Coimbra. Nesse sentido todo o nosso projecto é estabelecido a longo prazo pois sabemos que estão reunidas as condições para que a grande maioria dos atletas que entra neste clube em idades mais novas possa ter um percurso que combine de forma orgânica os percursos desportivo e académico durante mais de uma década o que não é tão fácil noutros clubes e noutras cidades. Assim as expectativas para o Badminton da AAC passam por formar atletas e pessoas que pautem a sua acção pela capacidade de trabalho, luta, ambição, humildade e acima de tudo, espírito de equipa. Não obliteramos a obtenção de resultados, mas essa não é a primeira prioridade do clube algo que não deve ser confundido com falta de ambição uma vez que procuramos levar os nossos atletas a superar os seus limites e desenvolverem-se de forma a alimentar as equipas seniores do clube e a equipa universitária que tem oportunidade de disputar competições internacionais anualmente. Os resultados dos últimos anos mostram que é possível seguir este caminho e ser bem-sucedido e isso é um excelente exemplo e modelo para os atletas que agora estão a começar a sua caminhada no clube. 
FG - É o Presidente da Secção de Badminton, desde finais de 2013 e como foi a sua entrada para assumir tão importante cargo?
DSTal como referi anteriormente, assumir a presidência foi uma consequência natural do meu percurso no clube como atleta, treinador e dirigente. É um trabalho de continuidade e entendeu-se dentro da equipa dirigente que este era o momento ideal para eu assumir este papel.
FG - Ter esta responsabilidade acrescida, não torna a sua tarefa muito complicada?
DSNão considero que torne a minha tarefa complicada. É um papel desafiante e motivador que me agrada. Faço parte de uma equipa bastante unida e focada no trabalho que temos desenvolvido e que temos a desenvolver. A única responsabilidade que existe é a de sempre e é uma com a qual queremos conviver: dar aos nossos atletas e treinadores as melhores condições possíveis para que se possam superar e atingir os melhores resultados possíveis dentro da nossa linha orientadora de formar atletas e pessoas à imagem da Associação Académica de Coimbra.
FG - É fácil ou difícil ser Presidente de uma Secção da AAC e porquê?
DSDentro do mundo AAC, a Secção de Badminton é considerada uma Secção pequena mesmo que a nível da modalidade sejamos dos clubes com mais atletas federados e participantes em provas oficiais. Nesse sentido, ser Presidente de uma Secção da AAC com a dimensão da nossa é relativamente fácil pois lidamos com orçamentos muito modestos e uma massa humana diminuta quando comparado com outras secções.
FG - Descreva um pouco sobre o seu trabalho à frente, da Secção e quais foram as suas principais acções desde que assumiu a Presidência? 
DSGostaria de reforçar novamente que este é um projecto de continuidade e está longe de ser apenas o «meu» trabalho. Lidero este clube com muito prazer e orgulho mas sou apenas mais um dentro de uma equipa jovem e dinâmica. Assim, o «nosso» trabalho tem passado muito por reforçar ainda mais a aposta no trabalho de formação, disso sendo reflexo o aumento brutal de praticantes não seniores que tivemos em 2014/2015; continuar o crescimento do Open Queima das Fitas; igualar ou melhorar os nossos resultados nas provas individuais e de equipas seniores e universitárias. Todas as acções tomadas por esta equipa visam o desenvolvimento de forte espírito de grupo e de família dentro de toda a comunidade do badminton da AAC: treinadores, dirigentes, atletas e pais. Entendemos este clube como uma segunda família e esse é um dos pilares no qual assentamos toda a nossa dinâmica de trabalho. 
FG - Quais são as maiores dificuldades encontradas para desenvolver o seu trabalho? 
DSPenso que são comuns à grande maioria dos clubes portugueses: dificuldade em encontrar apoios e patrocínios que nos ajudem a propiciar aos nossos atletas outro tipo de experiências como torneios e estágios internacionais e com isso dar estímulos diferentes que os ajudem na sua evolução. Esses apoios seriam também fundamentais para aliviar a carga de investimento próprio que os atletas têm de fazer para poderem competir regularmente.
FG - Quais são os atletas, que podem render bons frutos para o Badminton da Académica, no futuro? 
DSTemos actualmente atletas que podem atingir níveis elevados de rendimento e resultados. Mas esse nível nunca será atingido sem muito trabalho. Esse é um dos vectores pelos quais orientamos o nosso trabalho de formação. Além disso, temos alguns exemplos (entre os quais me incluo) de atletas formados na AAC cujos resultados apenas começaram a aparecer nos últimos anos de não seniores e que conseguiram manter ou aumentar o nível quando chegados a seniores (o que não é muito comum no nosso badminton pois perdem-se muitos atletas de valor na transição de não seniores para seniores). Não quero por isso individualizar nenhum atleta da AAC mas quero referir que temos jovens que podem concretizar todo o seu potencial se continuarem a trabalhar de forma disciplinada, empenhada e determinada, mesmo que actualmente passem debaixo do radar. Estou convicto que muitos dos nossos atletas confirmarão o seu potencial e cabe-nos reunir as melhores condições possíveis para que tal aconteça.
FG - As competições arrancaram, em Outubro de 2014. Está tudo a correr dentro da normalidade, na AAC?
DSTem sido uma época longa, com competições em praticamente todos os fins-de-semana. Batemos um recorde de atletas federados no clube nesta época desportiva por isso tem sido um ano bastante animado. Tudo tem corrido dentro dos nossos planos. Na grande competição de seniores que aconteceu até ao momento, o Campeonato Nacional de Equipas Mistas Seniores, igualámos o nosso melhor resultado de sempre o que se enquadra dentro do objectivo estabelecido. Renovámos também o título de equipas universitárias o que permitirá a nossa participação no Campeonato da Europa de Universitários na Polónia no final de Agosto. Cada torneio tem a sua especificidade por isso aguardamos agora pelos diferentes Campeonatos Nacionais para os quais nos temos vindo a preparar.
FG - De que forma fazem o recrutamento de novos praticantes?
DSNuma cidade como Coimbra há muita concorrência de outras modalidades o que dificulta o trabalho de recrutamento. Apostamos na divulgação do clube através das redes sociais. Organizamos, não tão regularmente como pretendíamos, estágios com núcleos de desporto escolar de forma a tentar captar atletas daí provenientes. Iremos apostar forte na próxima época em acções junto de escolas primárias para que a nossa base de recrutamento abranja jovens em idades mais precoces. Mesmo assim, continuamos a receber atletas que apenas conhecem a modalidade das aulas de Educação Física ou como desporto de «ar livre».
FG - Qual o principal desafio da Secção de Badminton da AAC para a época desportiva de 2015 / 2016? 
DSTrabalhamos sempre com os objectivos de nos superarmos. Assim para a próxima época tentaremos igualar ou melhorar os resultados de 2014/2015, continuar a investir de forma séria e determinada nos atletas que actualmente estão nas nossas camadas jovens, continuar a procurar dar condições aos nossos atletas seniores para manterem os resultados de nível médio/elevado que têm obtido internamente nas categorias de Absolutos, C e D.
FG - O VII Open Queima das Fitas, a realizar nos dias 25 e 26 de Abril irá ter mais qualidade, que nos anos anteriores? 
DSQueremos sempre que cada edição supere a anterior. Em termos dos intérpretes está garantida qualidade elevada uma vez que teremos presentes em Coimbra quase todos os grandes atletas portugueses da modalidade. Este ano, o torneio irá ser disputado noutro pavilhão, o Pavilhão Multidesportos Dr. Mário Mexia, que tem recebido grandes eventos nacionais e internacionais e está por isso muito mais apetrechado e preparado para organizações de grande dimensão como se pretende que seja o Open Queima das Fitas. Voltaremos a dar a oportunidade de os atletas competirem em tapetes sintéticos e teremos uma equipa preparada para proporcionar aos nossos visitantes a melhor experiência possível que se possa retirar de um torneio de badminton.
FG - De um modo geral como está o apoio à Secção de Badminton da Académica de Coimbra?
DS O apoio que recebemos é relativamente diminuto. Sobrevivemos à custa de um subsídio anual atribuído pelo Conselho Desportivo da AAC e da contribuição mensal dos nossos atletas. Se não fosse a vontade e carolice de atletas e pais de atletas a nossa tarefa seria hercúlea. Mesmo assim, todo o apoio que recebemos é canalizado integralmente para os nossos atletas pois é para eles que trabalhamos.
FG - Que tipo de relação existe entre atletas e treinadores, na AAC?
DSOs treinadores da AAC são também atletas. A relação existente é muito familiar e de grande proximidade. Somos um grupo muito unido nos bons e nos maus momentos. Há uma ética colectiva muito grande que leva todos a trabalhar com a evolução individual em mente mas também com a preocupação de ajudar os colegas de equipa. Os treinadores da AAC têm autonomia total na gestão da época desportiva e a relação próxima que existe com os atletas não belisca a sua autoridade pois todos no clube conhecem bem o seu papel. O papel de treinador é aquele que mais me satisfaz de todos os que desempenho no clube e penso que isso é o melhor elogio que posso fazer aos meus atletas. 
FG - Que importância tem tido a Câmara Municipal de Coimbra, para o desenvolvimento da modalidade no clube?
DSA CMC ajuda a secção através do subsídio anual que atribui à AAC e que é posteriormente distribuído pelas secções desportivas. É um apoio importante por ser dos poucos com que podemos contar na planificação de uma época mas é residual. Temos procurado ocasionalmente apoios para projectos internacionais de alguns atletas que são usualmente bem recebidos mas acabam por não ser concretizados por motivos que não interessam referir. A nível de espaços desportivos, o badminton da AAC está perfeitamente enquadrado no Estádio Universitário de Coimbra e como tal não recorre à CMC mas importa referir que a Câmara Municipal desempenhou papel decisivo para que o Open Queima das Fitas pudesse ser disputado no Pavilhão Multidesportos em condições muito favoráveis para a Secção de Badminton.
FG - Que mais há para dizer sobre a Secção de Badminton? 
DSPenso que as minhas respostas já disseram muito. Somos um clube com uma mística especial à qual se associa a irreverência típica desta academia. Gostamos de o mostrar no campo e nas bancadas. Carregamos o nome de uma instituição importante e com impacto histórico e gostamos que todos os atletas tenham noção disso. Termino reforçando que a AAC reúne as condições com que todos os jovens praticantes sonham: conciliar estudos com uma actividade desportiva séria e empenhada e com horários compatíveis com essas duas vertentes. Coimbra é uma cidade de dimensão média que permite deslocarmo-nos de aulas para os treinos e vice-versa com relativa facilidade o que não é fácil de encontrar noutras cidades. Temos tido vários atletas connosco nos últimos anos (alguns federados pela AAC, outros não) que atingiram patamares elevados no plano desportivo e académico e todos eles integraram a dinâmica da nossa família. Somos uma porta aberta para o futuro de todos os atletas que querem continuar a estudar e a competir a um nível elevado. 
FG - Qual é o diagnóstico que faz sobre o Badminton português?
DSTendo em conta a dimensão do nosso país e o dinheiro que (não) é investido temos em Portugal bons exemplos de trabalhos bem feitos na nossa modalidade. Nos últimos anos têm surgido novos clubes com dinâmicas bastante interessantes e já com impacto no nosso cenário desportivo. Aliando isso ao bom trabalho de clubes já bem estabelecidos no nosso panorama posso afirmar que em Portugal se sabe o que é preciso fazer para desenvolver projectos consolidados e com resultados ao nível do badminton. É triste no entanto que os nossos principais atletas tenham de assentar quase todo o seu percurso internacional no investimento financeiro pessoal. Mas essa é uma situação que já acontece na micro-realidade dos clubes em que muitos dos atletas competem a expensas próprias, por isso não me espanta que suceda na macro-realidade nacional. Há uma dificuldade clara e identificada de captar apoios para a modalidade. Não penso que o dinheiro resolva tudo e o nosso país tem exemplos de que se pode fazer bem com pouco, mas inevitavelmente para se atingir uma maior dimensão, um apoio financeiro superior seria fundamental. Em termos de outras realidades, frequento quase todas as competições nacionais, e tenho notado que, pelo menos na minha zona, há mais atletas e novos clubes a competir e com qualidade! Tem por isso de se investir no alargamento na base de recrutamento em idades mais precoces e esse papel cabe à FPB, aos clubes, e a todos os que querem a evolução do badminton português. 
FG - Uma remodelação, no sistema competitivo está a ser necessário, para aumentar a competitividade?
DSTenho dúvidas que seja necessário uma remodelação total. Admito que fui reticente aquando da entrada da divisão por zonas no sistema competitivo mas, e mais uma vez falo pelo que vejo acontecer na minha zona, tenho notado aumento no número de participantes (a nível de clubes e atletas) nas provas de não seniores. Existe muita competitividade embora o nível competitivo esteja nivelado por baixo em relação ao que já foi no nosso país… Acima de tudo, penso que para haver ajustes ou remodelações no sistema competitivo seria preciso que os agentes da modalidade falassem e discutissem entre si alternativas e ideias para melhorar o sistema. Essas conversas deviam acontecer com uma frequência, pelo menos, anual. O contacto com quem está no terreno, atletas, treinadores, dirigentes é a melhor forma de aferir o sucesso de um sistema competitivo principalmente num momento da vida desportiva do badminton português em que temos cada vez mais clubes e atletas a investirem em participações em provas de circuitos nacionais de outros países como Espanha, Inglaterra ou Suíça.
FG - Para quando um Torneio Internacional, em Coimbra para atletas não seniores?
DSÉ algo que almejamos mas que não se afigura possível a curto prazo. Penso que poderíamos conseguir a logística necessária com alguma facilidade mas torneios desses implicam um outro tipo de investimento para o qual neste momento não conseguimos reunir o apoio necessário. Mas é algo que definitivamente, está na nossa lista de desejos.
FG - Qual a sua opinião sobre a possível ou não participação de atletas portugueses, em futuros Jogos Olímpicos da Juventude?
DSPenso que a participação em qualquer prova internacional e que permita aos atletas o seu crescimento desportivo e pessoal é de incentivar.
FG - Como desporto o Badminton é promovido, ou não nas novas gerações e para a sociedade em geral?
DSPenso que actualmente, com as redes sociais e outras plataformas tecnológicas há um maior acesso ao que é realmente o Badminton do que havia anteriormente. Também é claro que o badminton é uma modalidade muito bem recebida no meio escolar (aulas e Desporto Escolar) apesar de ser mal leccionado/orientada por muitos professores porque a formação na modalidade que receberam a nível de ensino superior também foi deficiente. Mas também temos muitos exemplos de professores que alastraram a sua acção escolar ao desporto federado e com bons resultados. Por isso creio que o maior investimento que podia ser feito em termos de promoção do badminton junto das novas gerações seria desenvolver um programa nacional de divulgação da modalidade junto de todas as escolas primárias e de segundo ciclo na tentativa de captar o maior número possível de jovens para a modalidade. Isso só seria frutífero aumentando-se o número de clubes principalmente em zonas/regiões onde não existem actualmente. Também é claro para mim que mesmo assim, continua a haver uma ideia dominante errada do que é, de facto, o badminton como desporto competitivo. 
FG - Qual será o futuro das Associações Regionais de Badminton, em Portugal?
DSNão me considero apto a responder a esta pergunta porque cresci num período em que as Associações Regionais de Badminton têm na sua maioria um papel obsoleto. Mas, o trabalho da ABRAM e da ABSM mostra que quando devidamente projectado, planeado e orientado o trabalho das Associações Regionais, mesmo considerando o contexto geo-espacial muito específico dessas Associações Regionais, pode fazer sentido e trazer bons resultados.
FG - O Badminton ainda é um desporto pouco conhecido em nosso país. Nesse sentido, quais são os principais impedimentos para o seu desenvolvimento? 
DSTal como referi anteriormente, o badminton é um desporto apelativo para os jovens quando com ele confrontados. Falta então, maior intervenção junto das escolas e um aproveitamento mais eficaz das novas ferramentas tecnológicas em prol da modalidade. Também é justo dizer que sendo uma modalidade pequena somos muitas vezes atropelados por modalidades mais massificadas em pormenores como ocupação de espaços, atribuição de verbas, transportes, etc. Por isso também penso ser necessária uma educação mais assertiva junto de instituições de carácter mais político sobre o que é realmente o badminton.
FG - E de que forma, os jovens podem ser mais incentivados a praticar esta modalidade e se tornarem futuros atletas internacionais?
DSTemos hoje bons exemplos de atletas portugueses de badminton de sucesso reconhecido e com alguma dimensão pública, mesmo que relativa. Essas referências são fundamentais dentro da modalidade. Agora não se devem vender ilusões por isso acho fundamental que um jovem que queira ser atleta internacional esteja consciente do tempo que vai ter de investir, dos sacrifícios que vai ter de fazer, do trabalho, disciplina e foco que lhe será exigido. Numa sociedade como a de hoje, em que os jovens estão muito acomodados e pouco receptivos a ultrapassarem os obstáculos que lhes surgem pela frente, penso que o fundamental deve ser moldar a mentalidade do futuro atleta. Sem essa capacidade mental, o talento apenas não será suficiente. 
FG - O que acha que deve ser melhorado no Badminton português?
DS - Podia pensar em vários aspectos mas destaco um: a capacidade de os agentes da modalidade falarem entre si e discutirem aquilo que verdadeiramente deve ser discutido. Colocar rivalidades e politiquice à parte e falar do badminton como aquilo que é verdadeiramente: uma modalidade que nos apaixona a todos e que tem muito para ser melhorado. Tal não é possível se as instituições não dialogam, se os treinadores não partilham experiências e ideias, se o consenso é visto como uma cedência e não como um compromisso. 
FG - Que recordações positivas e negativas o marcaram no Badminton?
DSDe negativo, as lesões muito graves que dois colegas de equipa sofreram ao longo da carreira (o Miguel Pinto e o Rui Mendes) e que me afectaram de forma venenosa pela relação de muita proximidade que tenho com eles e pelo sentimento de impotência que me invadiu nesses momentos. De positivo: ser Campeão Nacional de Equipas Homens Seniores na época passada com uma equipa composta totalmente formada por atletas formados na casa da AAC e, como tal, com os quais convivo desde miúdo. Além de ser o primeiro título meu e do clube desta dimensão, foi conseguido na minha prova preferida de todas as que disputo regularmente. 
FG - Para terminar, gostaria de saber qual a sua avaliação, sobre o blogue Linhas & Finas + Badminton?
DSÉ a maior plataforma de informação e divulgação do badminton português. Tão simples quanto isso. Além disso as inúmeras iniciativas que promove para celebrar os atletas, clubes, treinadores e árbitros portugueses merecem também o meu destaque. Faz um trabalho importante e ocupou um espaço que estava vazio antes do seu aparecimento. Como tal, tem o meu sincero reconhecimento e agradecimento.

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