Este artigo de Opinião de autoria de Pedro Dias, Presidente a AAUMinho e retirado do Jornal "Correio do Minho", deve ser lido por todos, e demonstra claramente aquilo que se devia fazer, mas que não se faz em prol do desenvolvimento da modalidade.
Considerando que a abordagem realizada ao tema do último artigo publicado não estava fechada, vamos alinhar mais algumas ideias sobre a organização de eventos desportivos internacionais e o respectivo legado, reforçando a vastíssima experiência que a Universidade do Minho e a sua Associação Académica têm acumulado ao longo dos últimos 12 anos. O legado desportivo, por definição, compreende os legados do evento desportivo que potenciam a promoção e desenvolvimento desportivo na cidade, região e país. Estes legados são de natureza diversa, e incluem iniciativas que são tangíveis e algumas que são intangíveis. Tomemos o exemplo da organização do Campeonato Mundial Universitário de Badminton, em 2008.
Este evento poderia criar oportunidades ao nível do legado desportivo em diversas áreas, nomeadamente:
1. Construção de novas infra-estruturas desportivas que aumentaria a participação desportiva;
2. Melhoria das infra-estruturas existentes que aumentaria o desenvolvimento desportivo;
3. Aumento e reabilitação de espaços para treino e jogo que potenciaria o surgimento de programa de formação ao nível dos treinadores, atletas, juízes, etc;
4. Equipamento desportivo que ajudaria a criar referências e modelos ao nível dos praticantes.
O legado associado à organização do Campeonato Mundial Universitário de Badminton na Universidade do Minho em 2008, tocou todas estas áreas, como será demonstrado, contudo, não teve, como deveria, a participação activa de todos os agentes potencialmente interessados no fomento e desenvolvimento da prática desportiva, nomeadamente do Badminton. Imaginem o legado que teria ficado para o badminton na região se o nível de participação de todos os agentes tivesse estado ao mesmo nível da participação e empenho da Universidade do Minho, da Fernanda Gomes e dos inúmeros jovens praticantes de badminton de Braga. Vamos aos factos:
1. Construção de novas infra-estruturas desportivas que aumentaria a participação desportiva. A Universidade do Minho “acelerou” o projecto de ampliação do Complexo Desportivo de Gualtar através da construção da nave 2, de forma a poder utilizar esta nova valência na competição. Esta ampliação consistiu na construção de um pavilhão polivalente com aproximadamente 500 metros quadrados, dotado de uma sala de formação, uma sala de musculação e um posto médico. É notório que esta instalação possibilitou o aumento da oferta para a prática desportiva na Universidade do Minho e comunidade onde está inserida. A Universidade do Minho aumentou em cerca de um milhar o número de utentes que praticam desporto regularmente nas instalações desportivas da Universidade do Minho em Gualtar, no período compreendido entre 2008 e 2010.
2. Melhoria das infra-estruturas existentes que aumentaria o desenvolvimento desportivo. O aumento da oferta de sportiva e das oportunidades de escolha são evidentes, tendo a UMinho diversificado a oferta de alguns serviços e a criação de alguns serviços novos que foi possível através da melhoria das infra-estruturas. Imaginem o legado que poderia ter sido criado se tivesse sido criada uma dinâmica forte externa à Universidade, com o surgimento de clubes de badminton, aumento da oferta de prática de badminton na região, entre outras. Existe um trabalho dedicado e qualificado em termos da formação inicial na modalidade, ao nível do desporto escolar, mas é fundamental dar continuidade a esse trabalho quando os jovens crescem, como fazê-lo se são escassos (ou não existem) clubes com a oferta de prática de Badminton no escalão sénior?
3. Aumento e reabilitação de espaços para treino e jogo que potenciaria o surgimento de programa de formação ao nível dos treinadores, atletas, juízes, etc; A Universidade do Minho planeou e implementou um programa de formação de Juízes de Linha, com a colaboração do Desporto escolar de Braga, Aveiro e da Fernanda Gomes. O curso de formação teve a duração de aproximadamente 101h, distribuídas por 10 momentos/acções de formação, que tiveram a duração de 21 dias durante um ano lectivo (2007/2008), contou com a participação de 52 jovens formandos. Este curso foi homologado pela Federação Portuguesa de Badminton, foi o 1º curso de formação de Juízes de linha organizado em Portugal. Imaginem a dimensão do legado se, além deste curso, tivesse sido organizado um curso de formação de treinadores para os técnicos e professores na região, um curso de formação de árbitros, realização de estágios de aperfeiçoamento das selecções nacionais na região, entre outras acções.
4. Equipamento desportivo que ajudaria a criar referências e modelos ao nível dos praticantes. Foi excepcional a parceria celebrada pela Universidade do Minho com uma multinacional especializada em material técnico/pedagógico de Badminton, possibilitando a criação de modelos e boas referências aos praticantes. Imaginem o legado que poderia ter sido criado a este nível, se o número de praticantes de Badminton tivesse aumentado de forma significativa, na Universidade do Minho aconteceu, mas no ambiente externo à Universidade não se registou esse crescimento, foi uma oportunidade perdida.

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